Filha de faxineira, estudante de Pedagogia veste uniforme da mãe em foto de formatura

05/02/2021

Roberta Mascena, de 25 anos, não esconde o orgulho de sua matriarca; confira o depoimento

Meu nome é Roberta Mascena, tenho 25 anos, nasci e me criei em Santos-SP. Estudei a vida inteira em escola pública.

Minha mãe é uma mulher nordestina, do sertão de Pernambuco, de uma cidadezinha chamada Afogados da Ingazeira. Era muito pobre, começou a trabalhar com 4 anos de idade. Não tinha uma boneca, sequer uma cama para dormir.

Aos 13 anos, saiu de casa para trabalhar como empregada doméstica no lar de outras famílias. Veio a Santos na fase adulta e conheceu meu pai. Os dois vieram da mesma cidade. Ele trabalha como taxista e nunca deixou faltar nada em casa. Sempre fomos unidos, minha mãe, meu pai e meu irmão mais novo.

Quando eu estava na 8ª série, ajudei minha mãe a estudar. Ela cursava a EJA na Escola Barão do Rio Branco. Não sabia muito, mas ajudei no que pude. Lembro dela saindo super feliz das provas de matemática, porque tirava as notas mais altas da sala.

Escolhi o curso de Pedagogia porque eu me familiarizei com a grade curricular. Sou completamente voltada à área de Humanas.

Ao entrar na Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES), fui muito bem recebida pela coordenadora do curso, a professora Mariangela Camba. Dava um jeito de resolver os problemas da turma e é muito interessada no bem-estar dos alunos.

A verdade é que é muito fácil chegar na sala de aula, pegar um livro e copiar o que está na lousa. As professoras de Pedagogia foram além da docência. Nos ensinaram a ter sensibilidade com nossos alunos. Nossas discussões pautavam muito nessa relação professor-aluno.

Meu sonho é viver num mundo em que as pessoas possam ser felizes e ter as mesmas oportunidades. Que, assim como eu, pudessem ter vontade de chegar em uma sala de aula e criar um exército fantástico de crianças críticas, criativas, artísticas e expressivas.

Quem sabe, poder propor um projeto para a Fundação Casa. Antes de qualquer coisa, tratam-se de pessoas. Pessoas que não tiveram uma casa, uma família, comida... ou até tiveram tudo isso, mas uma estrutura familiar completamente devastada. Quero mostrar para esses jovens que é possível, sim, chegar longe e mudar de vida.

Minha mãe é faxineira e pagou minha faculdade sem atrasar uma mensalidade sequer. Já ajudei no trabalho dela algumas vezes e não tenho vergonha disso.

Vestir o uniforme de trabalho da minha mãe durante a fotografia da formatura não é o suficiente perto de tudo o que ela e meu pai fizeram por mim.

Aos pais, desejo que sejam como os meus. Pedreiros, taxistas, lixeiros, empregadas domésticas, babás... Que seus filhos conquistem um título de graduação como eu!



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